As certificações do biometano estão estruturando e legitimando ainda mais o setor. Quer entender como?

Desde que começou a ser comercializado no Brasil, o biocombustível superou alguns desafios, principalmente nos aspectos regulatórios, logísticos e relacionados à baixa escala de mercado. O cenário, hoje, é bem diferente. Com um forte apelo ambiental, o biometano é uma solução estratégica de transição energética e de economia circular. Ele não só evita que o metano proveniente da decomposição dos resíduos orgânicos seja emitido para a atmosfera, como o aproveita para a geração de um combustível renovável.
A aprovação da Lei do Combustível do Futuro é peça-chave para entender o momento positivo do biometano. Ao criar um mandato de descarbonização obrigatória do gás natural, a Lei exige que produtores e importadores cumpram metas anuais de redução de emissões a partir do consumo do biometano em si ou aquisição dos certificados de origem (CGOBs).
A lógica dos certificados de origem é a mesma dos já conhecidos certificados de rastreabilidade de biometano (GAS-RECs), que a MDC Energia emite e comercializa desde 2022. Apenas no ano passado, a Companhia comercializou 47,2 milhões de m³ de biometano – e os certificados foram um instrumento fundamental na garantia de origem. Esse montante foi acumulado nas três unidades da Companhia que estão em operação: a GNR Dois Arcos (parceria com o Grupo Osafi), GNR Fortaleza (parceria com a Marquise Ambiental) e a Biometano Caieiras (parceria com a Solví Essencis).
Os certificados comprovam que um volume de biometano foi de fato produzido e disponibilizado no mercado, separando o atributo ambiental da molécula física do gás em si. Por um lado, as certificações trazem flexibilidade para que o produtor de gás natural possa cumprir sua meta regulatória de redução de emissões. Por outro, servem como instrumento de alocação ou rastreabilidade do atributo ambiental do biometano ao consumidor final de gás. E, com isso, o mercado como um todo evolui.



